A FS está dando mais um passo para manter a autossuficiência em biomassa, o principal gargalo da crescente indústria de etanol de milho. Até o final do ano, a empresa chegará a 100 mil hectares de florestas plantadas em Mato Grosso — que serão suficientes para abastecer suas quatro usinas no estado, uma delas em construção.
Com essa área, a FS não só consolida a sua posição como a maior operadora de florestas plantadas em Mato Grosso, sendo responsável por cerca de metade da área total do estado, como se aproxima das gigantes de papel e celulose nesse quesito. A Klabin, por exemplo, tem 400 mil hectares plantados em todo o Brasil — descontando as áreas com algum tipo de proteção. A FS, portanto, já é um quarto da Klabin em florestas plantadas.
Esse é o resultado de um trabalho de quase uma década, quando a FS, pioneira na produção de etanol de milho no País, deu início à construção de sua primeira planta, em Lucas do Rio Verde (MT).
Para ser ideia da dimensão, o custo para implementar um hectare de floresta plantada é da ordem R$ 20 mil, o que demandou cerca de R$ 2 bilhões para cultivar 100 mil hectares que a companhia está prestes a atingir.
O esforço — e o alto investimento — é apoiado na estratégia de negócios da FS, que busca ser carbono negativo. “Quando trouxemos o etanol de milho para o Brasil, tínhamos muito claro que duas características principais diferenciavam o nosso etanol de do americano, resultando numa pegada de carbono inferior: o milho segunda safra, que poupa a terra, e o uso da biomassa renovável”, disse Abud em entrevista ao The AgriBiz.
Também havia a leitura de que a produção de etanol de milho iria aumentar substancialmente no Brasil ao longo da década, exigindo não só mais biomassa como também mais consumidores.
“Buscamos novos mercados, principalmente de exportação, e entendemos que eles exigem um grau de exigência e certificação muito grande. E nos posicionamos muito claramente dessa forma [na origem da biomassa] para capturar não só o acesso, como os potenciais prêmios nesses mercados”, afirmou.
Em todas as discussões que envolvem o uso de etanol na produção de biocombustíveis avançados, como para aviação, transporte marítimo e até novos mandatos terrestres, como no Japão, a demanda está diretamente relacionada com metas de descarbonização, lembrou o executivo. Por isso, a fonte de biomassa utilizada no processo produtivo é fundamental.
No Brasil, em vez do carvão mineral ou do gás natural, a energia que move as caldeiras das plantas de etanol de milho tem como fonte a biomassa, como eucalipto, bambu e até resíduos de processos agroindustriais, entre eles casquinha de arroz, de soja e soqueira de algodão.
A biomassa no centro da estratégia
A busca pela matéria-prima sustentável começou no dia zero da FS. O primeiro passo foi comprar madeira em pé em áreas que haviam sido plantadas na expectativa da construção de uma fábrica de celulose no sudeste do Mato Grosso, o que acabou não se concretizando. Nesse modelo, a FS não tem a posse da terra, mas sim o direito sobre a madeira plantada na área em questão.
Com esse investimento, a FS obteve biomassa para mover a sua primeira planta, resolvendo uma demanda de curto prazo. Mas a empresa continuou investindo de olho no seu plano de expansão, que previa a construção de cinco unidades de etanol de milho em Mato Grosso. “Em algum momento, aceleramos bastante para antecipar a disponibilidade de biomassa”, contou o CEO.
A FS Florestal, uma empresa do grupo, também arrenda áreas no estado para o plantio de eucalipto e tem programas de fomento com produtores terceirizados, oferecendo financiamento e garantindo a compra da biomassa em contratos de longo prazo.
Considerando os três modelos, a FS tem hoje mais de 90 mil hectares plantados e deve ultrapassar 100 mil até o final deste ano. A grande maioria tem eucaliptos plantados, apenas 13 mil hectares receberam mudas de bambu, que tem um ciclo bem mais curto, com o primeiro corte em aproximadamente três anos contra seis do eucalipto.
Para financiar essa base florestal, a FS Florestal captou recursos por meio da emissão de CRAs (Certificados de Recebíveis do AGRONEGÓCIO) e buscou financiamento bancário. Desde o início do projeto, a companhia emitiu mais de R$ 1,5 bilhão em CRAs para essa finalidade.




