20.3 C
São Paulo
quinta-feira, maio 14, 2026

O suco da Queiroz Galvão: como a Timbaúba quer dobrar de tamanho

DEVE LER


Faz dez anos que a Timbaúba, uma investida da família Queiroz Galvão, mudou o seu modelo de negócios, migrando da produção de uva e manga em Petrolina (PE) — atividade que começou nos anos 1990 — para o suco integral natural.

O objetivo era reduzir a exposição às intempéries climáticas e à perecibilidade das frutas de mesa. O modelo industrial ainda permitiu mecanizar quase toda a produção, o que não é possível nas frutas in natura. Por essas e outras razões, a fruta para suco tem custo de produção de um terço frente à fruta de mesa.

“E agrega valor em quase cinco vezes”, destacou Sydney Tavares, CEO da Timbaúba, em entrevista ao The AgriBiz.

A estratégia deu resultado: a Timbaúba cresceu mais de 30% ao ano desde 2020, e fechou 2025 com faturamento de R$ 172 milhões. A empresa ainda conquistou uma posição entre as cinco maiores fabricantes de sucos integrais e 100% frutas no País, além da liderança do mercado nordestino, segundo a companhia.

Neste ano, a Timbaúba pretende somar R$ 210 milhões em receita. Para 2030, a ambição é quase dobrar o faturamento, para R$ 400 milhões.

Para crescer, pretende investir cerca de R$ 120 milhões, a maior parte em tecnologia: a ideia é qualificar a produção na sede em Petrolina (PE), no Vale do São Francisco, intensificando o uso de inteligência artificial.

A empresa quer, por exemplo, implantar mais iniciativas como a do monitoramento de pragas via drones. No extremo, o CEO da Timbaúba sonha em mecanizar a última fronteira humana da produção da uva, que é a poda, substituindo a mão de obra que resta por robôs.

Também está nos planos atualizar maquinário, avançando em uma processo que já começou pelas colheitadeiras. E, embora não haja planos para adquirir ou arrendar mais terras, está no horizonte renovar partes das lavouras.

Tudo converge para mais produtividade e volume, viabilizando um crescimento almejado, principalmente, no mercado externo.

Lá fora, foco no“high-end”

O integral natural é uma novidade ainda residual na pauta de exportações de frutas e sucos do País, que tem na laranja sua protagonista na forma de suco concentrado congelado. Mas a Timbaúba quer mudar isso.

“Estamos despachando produtos acabados e envasados. O foco é tornar a exportação mais relevante na nossa composição de receita”, disse Tavares.

Suco de uva da Timbaúba, maior fabricante de sucos integrais naturais do Nordeste
Suco de uva da Timbaúba, maior fabricante de sucos integrais naturais do Nordeste | Crédito: Divulgação

Hoje, a empresa vende para cerca de dez países, como Estados Unidos, Canadá, Portugal, Rússia, Japão e China. Cada mercado tem sua solução customizada, ao encontro do perfil de consumo e das preferências locais, explica o CEO.

“No exterior, o foco é o público ‘high-end’ em embalagem de vidro. Mas cada país têm suas especificidades. O Japão é um mercado detalhista; levou mais de um ano para entrarmos lá. Não é a mesma linha, por exemplo, em países da África, onde nossa entrega será mais acessível.”

Em 2023, a Timbaúba iniciou uma aposta em parceria com a Embrapa do Pará: o açaí. A ideia é explorar a ideia de “superfruta” do ponto de vista nutricional em um inovador formato de suco — também de olho no exterior.

“Formulamos uma bebida mista de açaí com maçã. É uma categoria que ainda não tem demanda doméstica, pois aqui é mais apreciado como sorvete, mas já entramos no Japão e na China. E nada impede que no futuro a gente produza açaí congelado.”

No Brasil, opções de A a D

O portfólio da Timbaúba é concentrado em suco de uva e água de coco, com três principais marcas: OQ, JUQ e OQMais+. A primeira, de integrais e composição próxima de 100% de fruta, foi o primeiro lançamento da empresa e mira um público das classes A e B.

A JUQ, mais conhecida na versão ‘caixinha’ para o público infantil, também é de suco integral sem aditivos. O terceiro rótulo, OQMais+, tem a mesma proposta da JUQ, mas com sucos mistos envasados em garrafas PET de volume maior. “É para ser consumido por toda a família, com preços entre 10% e 15% abaixo do OQ”, explicou Tavares.

A diversificação para além dos tops de linha foi uma escolha recente para amenizar os efeitos da deterioração do poder de compra no mercado interno, diz Tavares.

“Embora 2026 comece com uma sinalização de retomada, a categoria 100% integral teve recuo nas vendas de 15% em 2024 e de 18% em 2025 devido à pressão inflacionária”, disse.

Nesse sentido, há uma quarta MARCA, com nome ainda em desenvolvimento, voltada às classes C e D, com até 5% de fruta e mais permissiva com a pauta de não adição de açúcares e conservantes.

A empresa tem ainda uma linha de frisantes em lata, com teor alcoólico de até 7% e foco no público jovem. E estuda novas frentes de bebidas isotônicas e chás.

Para alimentar essa produção, a Timbaúba mantém 2,5 mil hectares de lavouras onde são cultivados uva e coco, sendo 1 mil irrigados, e adquire de terceiros outras matérias-primas, como laranja e maçã.

***
A matéria foi atualizada para corrigir que a Timbaúba é uma empresa da família Queiroz Galvão, e não do grupo homônimo, e que a MARCA JUQ é de suco integral sem aditivos.



Fonte Link

- Publicidade -spot_img

Mais Artigos

- Publicidade -spot_img

Último Artigo