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quinta-feira, maio 14, 2026

números da operação contra o PCC

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As três operações deflagradas nesta quinta-feira (28) – Carbono Oculto, Quasar e Tank – marcaram uma ofensiva inédita do Estado brasileiro contra a infiltração do crime organizado na economia formal. Ao todo, a ofensiva mobilizou mais de 1.400 agentes públicos, envolveu dez estados e revelou uma rede criminosa altamente estruturada, com atuação em postos, usinas, fintechs, distribuidoras e fundos de investimento.

“Estamos falando de esquemas que operavam com múltiplas camadas, como fundos de investimento com estruturas societárias complexas e blindagem patrimonial. Não é lavagem de dinheiro de um grupo específico, mas um modelo ‘disponível’ para uso por diferentes organizações criminosas”, afirmou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Veja, a seguir, os principais números consolidados das operações, com base em informações divulgadas pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério da Fazenda.

Números consolidados das três operações

  • R$ 52 bilhões movimentados ilicitamente entre 2020 e 2024
  • R$ 8 bilhões já autuados pela Receita Federal em sonegação fiscal
  • R$ 30 bilhões em patrimônio sob gestão de 40 fundos de investimento usados pelo PCC
  • R$ 46 bilhões movimentados por uma única fintech ligada ao grupo criminoso
  • 20 fundos de investimento bloqueados judicialmente
  • 1.600 caminhões usados no transporte de combustíveis adulterados
  • Mais de 1.000 postos de combustíveis investigados em pelo menos 10 estados
  • 192 imóveis bloqueados ou sequestrados, incluindo:
    • 6 fazendas (avaliadas em R$ 31 milhões)
    • 1 residência em Trancoso (R$ 13 milhões)
    • 1 terminal portuário e 4 usinas de álcool adquiridas com dinheiro ilícito
  • 140 veículos apreendidos no dia da operação
  • 1.500 veículos com ordem judicial de sequestro
  • 2 embarcações sequestradas
  • R$ 300 mil em dinheiro em espécie apreendidos
  • 41 pessoas físicas e 255 empresas com bloqueio de bens

Quem fez o quê

Embora articuladas conjuntamente, as três frentes de investigação tiveram origens distintas:

  • Carbono Oculto: coordenada pela Receita Federal e MP-SP, focada na infiltração do PCC no setor de combustíveis e no uso de fundos para lavagem e blindagem patrimonial. Impôs R$ 8 bilhões em autuações fiscais, com novos autos em preparação.
  • Quasar (SP): conduzida pela Polícia Federal, com foco em fundos fraudulentos e lavagem de dinheiro, com estruturas criadas para ocultar os beneficiários finais. Desvendou a estrutura econômica e financeira do PCC, com foco em lavagem, sonegação e aquisição de ativos com recursos ilícitos.
  • Tank (PR): investigação da PF com origem no combate ao tráfico de drogas, que desvendou fraudes na cadeia de combustíveis, adulteração e esquema de contas “bolsão”.

“No caso do Paraná, o que identificamos foi um desdobramento de uma investigação sobre tráfico de drogas que revelou fraudes em larga escala na cadeia de combustíveis. Adulteração, fracionamento de depósitos, empresas de fachada e lavagem de dinheiro”, explicou Andrei Rodrigues.

O diretor da PF ressaltou que, embora as operações tenham naturezas diferentes, há alvos em comum e o modelo de cooperação entre órgãos permitiu uma ofensiva de grande escala:

“Não é só a Polícia Federal, nem só a Receita, nem apenas os MPs. Essa é a demonstração de que o enfrentamento ao crime hoje exige articulação entre todos os braços do Estado, com respeito às atribuições legais de cada um.”



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