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segunda-feira, maio 25, 2026

WMoney acelera expansão, busca licença financeira e projeta R$ 500 milhões em crédito

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A fintech WMoney, especializada na intermediação de crédito privado entre investidores e empresas, prepara um movimento de transformação estrutural que pode reposicionar a companhia no sistema financeiro brasileiro. Após intermediar cerca de R$ 200 milhões em operações de crédito ao longo de sua trajetória, a empresa agora avança para se tornar uma instituição financeira, com ambição de ampliar escala, diversificar produtos e competir em um mercado que passa por forte consolidação e maior rigor regulatório.

Em entrevista ao BRAZIL ECONOMY, o CEO Diego Camacho detalha a estratégia que combina crescimento acelerado, expansão do time comercial e a aquisição de uma licença financeira em processo de aprovação pelo Banco Central. Segundo ele, a companhia já iniciou a transição operacional, mesmo antes do aval definitivo do regulador.

“A gente está nesse movimento de sair de uma empresa de tecnologia para ser uma instituição financeira. É uma evolução natural do negócio”, garantiu Camacho.

O modelo atual da WMoney se baseia na conexão direta entre tomadores de crédito e investidores, sem que a empresa carregue risco em balanço. A plataforma estrutura operações, realiza análise de crédito, formaliza contratos e distribui oportunidades para investidores pessoa física ou institucional, que escolhem onde alocar recursos.

Na prática, a fintech atua como uma camada intermediária entre oferta e demanda de crédito, em um formato frequentemente comparado a marketplaces digitais. “A gente conecta as duas pontas. O risco é sempre do investidor, não fica com a gente”, disse o executivo.

Esse modelo permitiu à empresa crescer com menor necessidade de capital próprio, mas também limitou a captura de receitas típicas de instituições financeiras tradicionais. É justamente essa limitação que a nova estratégia busca superar.

A virada começou com a aquisição de uma empresa financeira já autorizada, que permitirá à WMoney operar com mais autonomia regulatória. O processo ainda depende da aprovação do Banco Central, que deve ocorrer nas próximas semanas, segundo Camacho.

A mudança acontece em um momento de endurecimento das exigências do regulador. O capital mínimo para determinadas licenças saltou de R$ 1 milhão para R$ 18 milhões, elevando significativamente a barreira de entrada e provocando uma onda de desistências no setor.

“A barreira de entrada subiu muito. Nos últimos meses, várias empresas pediram cancelamento de licença”, afirmou o CEO.

Para a WMoney, no entanto, esse novo ambiente é visto como oportunidade. A companhia aposta que a depuração do mercado deve beneficiar operadores mais estruturados, especialmente diante de episódios recentes envolvendo instituições financeiras e fintechs investigadas ou em dificuldades.

“Tem muito mercado na mesa. Esses clientes ficam órfãos e a gente quer abraçar esse espaço”, disse Camacho.

A estratégia de crescimento da empresa passa também por uma divisão mais clara entre operações de varejo e atacado. No varejo, a plataforma continua oferecendo crédito pulverizado para investidores individuais. Já no atacado, a empresa estrutura operações maiores, incluindo antecipação de recebíveis e parcerias com fundos.

Atualmente, a WMoney já testou cerca de R$ 100 milhões em operações nesse segmento, que deve ganhar tração com a entrada de um investidor internacional. A companhia negocia um aporte de US$ 50 milhões com a gestora Black Opal para financiar operações lastreadas em recebíveis de cartão de crédito.

Além disso, a fintech vem ampliando sua atuação como fornecedora de infraestrutura financeira para empresas. Nesse modelo, oferece tecnologia, compliance e estrutura regulatória para que terceiros operem crédito sem precisar montar uma operação própria.

O foco são empresas com faturamento entre R$ 15 milhões e R$ 100 milhões, que têm demanda por soluções financeiras, mas não possuem escala para internalizar essa estrutura.

“A gente entrega a parte regulatória e a tecnologia. O cliente empresta o dinheiro dele sem precisar montar equipe ou sistema”, explicou Camacho.

No campo operacional, a empresa também reforçou sua capacidade comercial. Em um movimento agressivo, a WMoney iniciou a expansão do quadro de funcionários de 40 para 70 pessoas em poucas semanas, com foco na originação de negócios.

A aposta é clara: acelerar crescimento para ganhar escala rapidamente, mesmo em um ambiente desafiador para o setor.

Os números refletem essa ambição. Após registrar faturamento de R$ 6,5 milhões em 2025, a empresa projeta alcançar R$ 38 milhões em 2026. Para sustentar essa meta, a expectativa é intermediar cerca de R$ 500 milhões em crédito apenas neste ano, frente a R$ 69 milhões no ano passado.

“A gente está apontando para um crescimento muito forte. Já fizemos esse tipo de expansão antes, mas agora em outra escala”, afirmou o CEO.

Os dados do primeiro trimestre indicam que a empresa está no caminho. Nos três primeiros meses de 2026, a WMoney já intermediou R$ 35 milhões, praticamente metade do volume registrado em todo o ano anterior.

Outro indicador que sustenta a estratégia é o comportamento da base de investidores. Segundo Camacho, cerca de 62% dos recursos retornados são reinvestidos na plataforma, sinalizando confiança mesmo em um cenário de maior volatilidade no setor.

“A gente tem mais depósitos do que saques todo mês. Esse mercado é muito baseado em confiança”, afirmou.

A empresa também destaca a qualidade do crédito como diferencial competitivo. A taxa de aprovação é inferior a 1% das empresas analisadas, o que indica um funil rigoroso de seleção. Já o índice de inadimplência acima de 90 dias, conhecido como over 90, gira em torno de 5,5%, patamar que, segundo o executivo, se aproxima dos grandes bancos.

Com a futura licença financeira, a WMoney pretende avançar para um novo estágio, incluindo a emissão de produtos próprios, como CDBs, e a originação direta de crédito com risco em balanço.

O plano é escalonado. No curto prazo, a empresa deve operar como instituição financeira de menor porte, equivalente às categorias intermediárias do sistema. Em dois a três anos, a meta é competir com plataformas de infraestrutura financeira e, posteriormente, disputar espaço com bancos tradicionais.

“A gente quer, primeiro, estruturar crédito sem risco. Depois, começar a carregar risco e competir com bancos”, disse Camacho.

A estratégia é ambiciosa e ocorre em um momento de transição para o sistema financeiro brasileiro, marcado por maior regulação, consolidação de players e busca por modelos sustentáveis de crescimento. Para a WMoney, a leitura é que esse cenário, apesar de mais desafiador, pode abrir espaço para empresas que combinem tecnologia, governança e disciplina de crédito.

“Os que ficarem vão sair mais fortes. Esse é o momento de construir”, completou o CEO.

 






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