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terça-feira, junho 9, 2026

A oferta WBD da Netflix é um drama antitruste sem vilão

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Supermercados, agências bancárias, livros mais vendidos, barris de petróleo – estes são apenas alguns dos mercados que incomodaram advogados e juízes da concorrência ao longo das décadas. A batalha pelo império dos meios de comunicação norte-americanos Warner Bros. Discovery colocará todo um novo conjunto de questões – sem respostas fáceis – sobre a forma como as famílias distribuem os seus gastos com televisão e o seu espaço cerebral.

A oferta da Netflix pelo WBD foi superado na segunda-feira por uma oferta rival em dinheiro da Paramount Skydance. O intruso afirma, em apoio à sua oferta, que uma fusão com a Netflix desencadearia uma revisão antitruste longa e possivelmente mal sucedida. A lógica é persuasiva. O professor de direito da George Mason University, John Yun, cita dados que mostram que Netflix e WBD têm 31 por cento das assinaturas de streaming e respondem por 35% das horas assistidas.

Mas existem outras maneiras de fatiar o bolo. Nas investigações antitruste, a identificação do “mercado relevante” é crítica e controversa. Incluir o YouTube do Google como rival de streaming, e Netflix e WBD cairão para apenas 20 por cento do tempo de visualizaçãode acordo com Nielsen. Incluindo toda a TV, eles representam apenas 9,3%. Espere que os advogados encontrem a definição que melhor se adapta ao seu caso.

Num mundo racional, o que importa é se os consumidores correm o risco de ficar em situação pior. Poderia a Netflix usar sua crescente influência no mercado para aumentar dramaticamente os preços de suas assinaturas ampliadas de streaming? Ou cobrar taxas exorbitantes para transmitir rivais de conteúdo WBD, como Harry Potter e Amigoslevando-os a aumentar os seus próprios preços?

Talvez, mas não por simples participação de mercado. Não se trata de agências bancárias ou supermercados, onde um monopólio local pode deixar aos consumidores a opção de Hobson. Aqueles que recusam Netflix e HBO Max podem desertar para Amazon, Disney+ ou Paramount+, entre outros. O Netflix é grande, mas Roku ou Peacock são igualmente fáceis de se inscrever. A parcela de olhos gera poucas probabilidades.

O que faz a diferença são os próprios filmes e programas – especificamente, o quão bons eles são. É por isso que o YouTube não substitui o Netflix. Claro, não há fim para o espectador apontar para seus alunos. Mas se o mercado relevante for “coisas que você assiste para o enredo”, a Netflix e a WBD poderão de fato ter uma fatia muito grande do mercado.

O problema é que essas coisas subjetivas são muito mais difíceis de avaliar. Uma opção é observar o quanto as empresas gastam em conteúdo, como um indicador da qualidade de sua produção. Netflix e WBD podem gastar US$ 38 bilhões no próximo ano, calculam analistas. Mas a Paramount e a WBD pesam robustos US$ 32 bilhões. No gasto geral com conteúdo, a Comcast supera todos eles, de acordo com dados da KPMGe Walt Disney está logo atrás.

Gráfico de barras de gastos estimados com conteúdo em 2024 (US$ bilhões) mostrando sucessos de bilheteria do orçamento

Daqui a alguns anos, tudo isso pode ser discutível. A inteligência artificial já sugere um mundo onde os filmes não exigem mais estúdio ou atores humanos. YouTube – usado por 84 por cento dos americanosde acordo com o Pew Research Center – poderia um dia assumir estúdios tradicionais, armado com sua controladora de US$ 3,8 trilhões modelos de IA revolucionários. O mesmo pode se aplicar às Meta Platforms ou OpenAI do proprietário do Facebook.

Esse é um problema de amanhã, é claro. Os juízes antitruste tendem a se concentrar no mercado tal como ele é, então a Netflix precisará apontar o lápis. Mas há duas conclusões. Se o simples tempo de visualização não equivale ao poder de mercado, então a oferta do colosso do streaming pelo WBD pode não ser tão problemática quanto parece. E seja qual for a forma como este drama se desenrola, a próxima onda de inovação mediática poderá produzir um conjunto muito diferente de anti-heróis.

john.foley@ft.com



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