Apesar de as chuvas terem ficado abaixo do normal em boa parte das áreas produtoras nos últimos dias, de forma geral a umidade do solo é adequada para o desenvolvimento das lavouras no Brasil. A preocupação com a baixa umidade do solo está concentrada entre Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Nos três estados, algumas áreas registram apenas 20% da capacidade total de armazenamento de água do solo, quando o mínimo ideal deveria ser de 60%. O mais preocupante é que a baixa umidade vai piorar nas próximas duas semanas.
Até choveu na última semana e há previsão de chuva nos próximos 15 dias, mas sempre em quantidade aquém do necessário para o pleno desenvolvimento agrícola.
Olhando-se, por exemplo, para o noroeste do Paraná, entre o observado na última semana e a previsão para as próximas duas, o acumulado oscila entre 12mm e 18mm a cada sete dias. O problema é que as lavouras recém-instaladas estão exigindo mais de 20mm a cada sete dias, fazendo com que a umidade do solo diminua gradativamente.
Tudo isso sem contar o calor acima do normal, com temperaturas máximas acima dos 35°C nos três estados, nas próximas duas semanas.
No Paraná, um dos maiores produtores de grãos do País, alguns efeitos das chuvas insuficientes já são sentidos, especialmente no centro e noroeste do estado.
Segundo o último boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), “o desenvolvimento inicial [da segunda safra] apresenta grande variabilidade, com registros de estresse hídrico, falhas na germinação, estandes irregulares e incidência de pragas, especialmente de lagartas”.
Por outro lado, no norte do Brasil, as precipitações devem ser abundantes. Embora o acumulado previsto não seja muito acima do normal essa para época do ano, ele será suficiente para elevar o nível de vários rios da bacia amazônica nos próximos 15 dias.
No Pará, 23 municípios já foram afetados pelas tempestades nas últimas semanas e a expectativa é de mais de 200mm nas próximas duas.
No campo, a colheita de soja avança mais lentamente que o normal, algo que também afeta o plantio da segunda safra de milho. Além disso, atoleiros dificultam o transporte de produtos perecíveis, como o leite, das fazendas para as usinas de beneficiamento.
Nos EUA, o plantio pode atrasar
Embora boa parte das notícias dos últimos dias tenham destacado o calor de até 43°C no último dia 19 nos desertos do Arizona, recorde para o mês de março, o destaque no agro foi para as geadas, registradas quase ao mesmo tempo em áreas de trigo de inverno do Kansas, Texas e Oklahoma. Mais da metade das áreas instaladas já sentiam o efeito de uma estiagem e o frio aumentou a chance de perdas.
Previsões indicam chuva excessiva na primeira semana de abril em boa parte das planícies centrais e risco de outras ondas de até o início da segunda quinzena do próximo mês, situação que pode atrasar os trabalhos de preparação do solo para a instalação das culturas de primavera.




