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quarta-feira, maio 13, 2026

Mosaic põe mina de Araxá à venda e paralisa produção em MG

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A disparada do enxofre, matéria-prima fundamental na produção de fertilizantes fosfatados, está provocando uma mudança drástica na estratégia da Mosaic para o Brasil.

Depois de fazer uma paralisação temporária em dezembro, a gigante americana anunciou nesta quarta-feira uma medida definitiva.

Para lidar com a situação adversa, que piorou com a guerra no Irã, a Mosaic decidiu pela hibernação das minas de rocha fosfática nos municípios de Araxá e Patrocínio, em Minas Gerais. A empresa também está desmobilizando o complexo mineroquímico de Araxá, onde produz superfosfato simples.

A decisão inclui a venda das operações em Araxá, uma das mais relevantes para a companhia. A unidade é capaz de produzir 1,1 milhão de toneladas de fosfatados por ano, o equivalente a 27% da capacidade de produção da Mosaic no Brasil.

A medida busca reduzir custos e concentrar os esforços em operações mais rentáveis. “Acreditamos que colocar as unidades em hibernação e buscar uma venda é o caminho mais adequado daqui para frente”, afirmou o CEO da Mosaic, Bruce Bodine, em comunicado.

A alta no preço do enxofre vem preocupando a empresa há meses. Em dezembro, o country manager da Mosaic no Brasil, Eduardo Monteiro, destacou a disparada no preço do insumo em entrevista ao The AgriBiz. E emendou dizendo que não enxergava sinais de alívio.

O enxofre começou a subir fortemente no segundo semestre do ano passado, refletindo maior demanda da China para a indústria de mineração e interrupções na produção da Rússia devido ao conflito com a Ucrânia, que acabou destruindo algumas instalações.

Neste ano, os problemas se agravaram com a guerra no Irã. Além das restrições de transporte no Estreito de Ormuz, há relatos de refinarias sendo atacadas na região, o que poderia comprometer a oferta também no longo prazo.

O impacto no balanço

Nas contas da Mosaic, as hibernações das operações de fosfato provocarão uma redução de 1 milhão de toneladas na produção anual. No ano passado, a companhia produziu 3,1 milhão de toneladas de fosfatados no Brasil. A gigante americana minera mais de 70% da rocha fosfática no País.

A venda do negócio em Araxá provocará uma baixa contábil significativa, da ordem US$ 300 milhões no balanço da Mosaic, o que já deve aparecer no balanço do primeiro trimestre.

É importante notar que a Mosaic Fertilizantes, divisão que reúne as operações no Brasil e Paraguai, é muito relevante para a companhia. No ano passado, ela foi responsável por quase 40% da receita e 23% do Ebitda.

Aperar disso, a redução das operações da Mosaic no Brasil terá um impacto limitado no Ebitda, segundo a empresa. A despeito do menor volume, os preços elevados do enxofre acabam compensando esse impacto.

A empresa informou que vai continuar desenvolvendo o seu negócio de nióbio em Patrocínio e que os estudos técnicos estão em fase final.

Na bolsa de Nova York, a reação dos investidores às mudanças foi negativa. Antes da abertura do mercado, as ações da Mosaic caíam mais de 4%. A companhia está avaliada em US$ 8,4 bilhões.



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