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sexta-feira, maio 15, 2026

Safrinha sofre com falta de chuva e calor excessivo no PR e MS

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O mês de março terminou com chuva abaixo da média em boa parte do Brasil. A situação é mais complicada entre o Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, onde a umidade do solo está abaixo do ideal para o desenvolvimento da segunda safra de milho.

Especificamente no oeste do Paraná, choveu apenas 65mm, quando o normal seriam 115mm, ou seja, pouco mais da metade da climatologia. Para piorar, justamente o Sul é a região que registrou maior anomalia de temperatura máxima, aumentando ainda mais a evapotranspiração.

Nesta semana, observa-se um sistema chamado de Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) sobre o oceano, mas que impacta o tempo em partes das regiões Sul e Sudeste. O VCAN é uma grande circulação de ventos na alta troposfera no sentido horário e que ajuda a formar nuvens de chuva em sua borda.

O acumulado de chuva até o fim de semana oscila entre 25mm e 50mm no centro e leste do Paraná e de São Paulo e no sul de Minas Gerais. É uma precipitação que mantém a umidade do solo em um patamar adequado para o desenvolvimento do café de Minas Gerais, porém há potencial para acúmulo de granizo em alguns municípios.

Agora, independentemente de a chuva vir acompanhada de granizo ou não, a questão é que o VCAN tem uma ação limitada e áreas de milho do oeste e norte do Paraná e do sul de Mato Grosso do Sul permanecerão sob tempo mais seco e quente por mais uma semana. Apenas na segunda semana de abril é que a chuva promete estancar as perdas com acumulado entre 25mm e 45mm.

Do outro lado, observamos chuvas mais frequentes nas regiões Norte e Nordeste. Nos próximos 15 dias, estimam-se mais de 150mm desde o litoral do Ceará até o oeste do Amazonas. De acordo com a Conab, as áreas de segunda safra de milho no Tocantins, Maranhão e Piauí se desenvolvem em boas condições, embora a colheita da soja esteja atrasada no Tocantins.

Argentina

A chuva forte das últimas semanas praticamente acabou com quaisquer resquícios de estiagem na Argentina. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires manteve a projeção de 57 milhões de toneladas de milho e de 48,5 milhões de toneladas de soja.

Uma preocupação que surge neste momento é com eventual geada precoce, algo que pode acontecer tanto por conta neutralidade no oceano Pacífico, como por eventual plantio tardio.

Não é possível fazer previsão de geadas com muita antecedência e temos que olhar as simulações para até 10 dias à frente. Embora exista previsão de frio de até 7°C no interior da Província de Buenos Aires no próximo fim de semana, não há potencial para formação do fenômeno.

Estados Unidos

A baixa umidade do solo é uma preocupação neste início de primavera nos Estados Unidos, perto do início do plantio de milho. Mais da metade das áreas dos 48 Estados contíguos está em situação de seca.

Um ano que sempre surge como um fantasma quando os EUA estão com estiagem em grandes áreas é 2012. Naquele ano, mais de 60% do país estava em seca e a quebra da safra por estiagem foi significativa.

Existem, no entanto, algumas diferenças entre 2026 e 2012. De fato, o plantio poderá acontecer de forma mais lenta neste momento por conta da baixa umidade do solo, mas há expectativa da formação de um fenômeno El Niño no próximo verão do Hemisfério Norte, algo que poderá trazer chuvas mais frequentes na segunda metade do ciclo das culturas.

Em 2012, o Pacífico permaneceu sob neutralidade, sem El Niño ou La Niña, durante toda a safra de primavera e de verão.

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Celso Oliveira, colunista de The AgriBiz, é especialista em clima da Tempo OK. Bacharel em meteorologia e mestre em agronomia pela Universidade de São Paulo, atua há mais de 20 anos em análises climáticas para a agricultura.



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