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quarta-feira, maio 13, 2026

BC proíbe Topázio de negociar criptomoedas e aplica multa de R$ 16 milhões

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O Comitê de Decisão de Processo Administrativo Sancionador (Copas) do Banco Central proibiu o Banco Topázio de realizar operações de câmbio para negociações de criptomoedas no mercado de balcão por dois anos, além de aplicar multa de R$ 16,28 milhões após identificar uma série de irregularidades em operações feitas entre outubro de 2020 e setembro de 2021.

Segundo o BC, o banco movimentou US$ 1,7 bilhão em operações com 15 pessoas jurídicas sem adotar procedimentos adequados para qualificar os terceiros beneficiados pelas transações, além de falhas relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo (PLD/FT).

O regulador apontou problemas na avaliação da capacidade financeira dos clientes, nos procedimentos cadastrais e na identificação de operações atípicas que deveriam ter sido comunicadas ao Coaf.

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que a medida pode servir de precedente para outras instituições, segundo a Agência Estado. Segundo ele, o supervisor bancário está “atento e vigilante” a modelos de negócio que possam facilitar lavagem de dinheiro no mercado de ativos virtuais e sinalizou que novas medidas cautelares podem ser adotadas mesmo antes da abertura formal de processos administrativos.

O histórico do banco Topázio

O Banco Topázio já havia aparecido em investigações e casos relacionados ao mercado cripto nos últimos anos, especialmente alguns ligados a monitoramento de operações financeiras envolvendo empresas investigadas.

Em abril deste ano, investigações apontaram que o Banco Master movimentou R$ 2,8 bilhões com uma empresa ligada ao mercado cripto investigada pela Polícia Federal. No mesmo contexto, documentos mostravam que o Topázio aparecia como uma das instituições responsáveis pelo monitoramento e acompanhamento de transações ligadas às operações investigadas.

O Topázio também foi citado em outro caso envolvendo a 2GO Bank, empresa acusada por autoridades israelenses de participação em esquemas de financiamento ao terrorismo. O banco aparecia novamente ligado ao monitoramento de movimentações financeiras associadas à operação da empresa.

Além disso, relatórios da Polícia Federal sobre a Operação Colossus — investigação que apura esquemas de lavagem de dinheiro com criptomoedas — detalharam como empresas investigadas movimentavam recursos utilizando Binance, estruturas de câmbio e instituições bancárias. O Banco Topázio apareceu nos documentos como uma das instituições presentes no fluxo operacional e de acompanhamento dessas transações.

BC amplia cerco regulatório sobre operações com cripto

A punição ocorre em um momento em que o Banco Central amplia o cerco regulatório sobre o setor de ativos virtuais. Em novembro de 2025, o regulador publicou um pacote de normas que passou a enquadrar operações com criptoativos dentro das regras cambiais e de capitais internacionais, além de criar a figura das SPSVAs (Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais), categoria regulatória voltada para exchanges e empresas do setor.

O Copas considerou que as irregularidades do Topázio tinham “natureza grave” e poderiam afetar severamente a continuidade das operações da instituição no mercado de câmbio.

O colegiado também puniu executivos ligados ao banco. O ex-servidor do BC Ademir Júlio Schenatto foi inabilitado por cinco anos para exercer cargos em instituições supervisionadas pelo regulador e recebeu multa de R$ 732 mil. Outros administradores também foram multados.

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