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quinta-feira, maio 14, 2026

Ministério da Saúde adota IA para tarefas operacionais e com foco em LLMs

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O Ministério da Saúde anunciou a implementação de inteligência artificial focada em Large Language Models (LLMs) para otimizar tarefas operacionais e administrativas. A iniciativa, que faz parte da estratégia de digitalização do SUS, visa reduzir custos, acelerar processos e melhorar o atendimento à população, com previsão de economia de R$ 120 milhões anuais.

A pasta comandada por Nísia Trindade confirmou que está desenvolvendo um projeto piloto que utiliza modelos de linguagem avançados para automatizar processos como análise de documentos, classificação de demandas e atendimento inicial aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo fontes do ministério, a tecnologia será aplicada inicialmente em três frentes principais: processamento de solicitações de medicamentos de alto custo, triagem de demandas judiciais relacionadas à saúde e automatização do atendimento no canal 136, central telefônica que recebe cerca de 2 milhões de ligações mensais.

“A inteligência artificial não substituirá profissionais de saúde, mas sim otimizará tarefas burocráticas que hoje consomem tempo valioso dos servidores”, explicou o secretário-executivo do ministério, Swedenberger Barbosa, em entrevista coletiva realizada na última terça-feira.

O projeto está sendo desenvolvido em parceria com o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e utiliza modelos de linguagem em português treinados especificamente para o vocabulário técnico da área médica e farmacêutica. A expectativa é que a ferramenta consiga processar até 80% das demandas rotineiras sem intervenção humana.

Em fase de testes desde março deste ano, o sistema já demonstrou capacidade de reduzir em 60% o tempo de análise de processos administrativos. “Os resultados preliminares são muito promissores. Conseguimos acelerar significativamente a análise de documentos que antes levavam semanas para serem processados”, afirmou a coordenadora de Tecnologia da Informação do ministério, Carla Mendonça.

A implementação ocorre em um contexto de crescente demanda por serviços de saúde e pressão por maior eficiência nos gastos públicos. Dados do ministério mostram que cerca de 40% do tempo dos servidores é gasto em atividades administrativas que poderiam ser automatizadas.

O investimento inicial no projeto foi de R$ 15 milhões, recursos provenientes do Fundo Nacional de Saúde. A previsão é que a economia gerada pela automatização de processos alcance R$ 120 milhões anuais a partir de 2025, considerando redução de custos operacionais e maior agilidade no atendimento.

Especialistas em saúde digital avaliam positivamente a iniciativa. “É um passo importante para modernizar o SUS e torná-lo mais eficiente. A inteligência artificial pode ser uma ferramenta poderosa para reduzir filas e acelerar o acesso aos tratamentos”, avaliou o professor de informática em saúde da Unifesp, Dr. Ricardo Safatle.

Contudo, a implementação também gera preocupações entre servidores públicos. O Conselho Nacional de Saúde solicitou esclarecimentos sobre possíveis impactos no quadro de funcionários e garantias de que a tecnologia não comprometerá a qualidade do atendimento humanizado.

O ministério garantiu que não haverá demissões em decorrência da automação. “Os servidores serão realocados para atividades mais estratégicas e de maior valor agregado, especialmente no atendimento direto à população”, assegurou Barbosa.

A fase de expansão do projeto está prevista para iniciar no primeiro trimestre de 2024, quando a tecnologia será implementada gradualmente em outros departamentos do ministério e, posteriormente, em secretarias estaduais de saúde que demonstrarem interesse na solução.

A adoção de inteligência artificial pelo Ministério da Saúde representa um marco na digitalização do SUS, prometendo maior eficiência e economia significativa de recursos públicos. O sucesso da iniciativa poderá servir como modelo para outros órgãos governamentais e contribuir para a modernização da administração pública brasileira, desde que mantido o equilíbrio entre inovação tecnológica e atendimento humanizado.

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